O começo de tudo
           
Sair de casa, ou da zona de conforto que vivemos, é um passo difícil e desafiador, digamos assim. Eu trabalhava a oito anos na mesma empresa, já estava com 29 anos de idade, ainda morava com minha mãe, em uma cidade minúscula, mas, eu tinha uma certeza: não queria viver lá pra sempre, não queria mais estar lá.

A decisão
         Então, a ideia surgiu, de uma amiga (que hoje inclusive segue a vida lá, e muito bem aliás). Estávamos em um bar, bebendo, não teria melhor momento para fecharmos uma aventura. Quando ela disse: "Vou morar na Europa ano que vem", pensei: "por que não?", sozinha, não sei se iria tão longe. Minha primeira intenção era ir para a capital do sul, mas com companhia, por que não ir mais longe? Em voz alta, sem pensar muito, falei: "Vou junto".

             Foi assim que iniciou a trajetória rumo a Europa. Eu, que mal conhecia o Brasil.

Assim, começamos a procura pelo país ideal para morarmos, algum lugar com fácil opções de emprego, principalmente pra mim, que não possuía cidadania alguma, e tudo nos levou para Irlanda.

Quando decidi isso, aquele ano, 2018, de início pensei: "que loucura estou fazendo!". Minha família nem fé levou na minha decisão. Começamos a acreditar que eu estava de partida quando paguei o curso de inglês, quando comprei as passagens... então, foi um frio na barriga sem igual, foi quando de fato caiu nossas fichas, estou indo embora por, pelo menos um ano, indo para longe, longe de todos que amo no Brasil.

Fiquei até impressionada com minha coragem.

No dia 03 de dezembro de 2018 embarquei, e fui. Para aquilo que foi minha melhor experiência de vida.

Antes de desembarcar na Irlanda, fizemos uma parada em Barcelona, conhecemos aquela cidade calorosa, encantadora por 4 dias.

Depois, partimos rumo ao nosso destino.


Expectativa x realidade

Quando desci do avião, eu lembro do primeiro áudio que mandei pra minha família, um vento horrível, um lugar cinzento e chuvoso, eu disse: "aqui fico 6 meses no máximo, não vou aguentar esse lugar sem sol".

Ironia foi, fiquei 8 meses lá, e a coisa mais difícil foi ir embora depois.

O primeiro sentimento que tive no primeiro mês lá (dezembro, primeiro Natal e Ano Novo longe da minha família, em um lugar frio) foi o medo, muito medo de fracassar, porque eu havia largado meu emprego estável, o aconchego de casa, e voltar antes sem nenhuma vivência, sem nada, por não me adaptar ao lugar.

Mas, como tudo na vida se dá um jeito, eu e minha amiga, a Débora, começamos a desbravar a cidade, e quanto mais andávamos por aquelas ruas lindas (ruas que tu só vê em filmes) fui me acostumando com o lugar, fui criando uma certa adoração por aquilo.

Depois disso, foi tanta coisa, curso de inglês pelo turno da manhã, trabalho turno da tarde, encontramos uma casa que conseguimos chamar de lar. Uma casa com 18 pessoas morando nela, e essa foi a melhor escolha que fizemos, saídas a noite, porque não estávamos mais sozinhas, tínhamos 18 pessoas morando conosco.

Aprendi a cozinhar coisas que eu nem sabia que conseguiria. Aprendi a fazer feijão enlatado, esse foi fácil, meio ruim, mas nos salvava. Aprendi a dirigir do lado direito no carro. Aprendi que pillow é travesseiro, com certeza isso nunca mais vou esquecer, hahahaha. Aprendi que usar meias longas por cima de calças no frio da Europa, pode ser até sexy, hahahahaha. Aprendi que uma boa dose de Jameson esquenta até a alma. Descobri lá o melhor crepe de nutella. Amei fish and chips, comia isso quase toda semana, sem exageros.

Aprendi que um monte de desconhecidos podem acabar se tornando família.

Enfim, em um ano de intercâmbio, eu conheci 10 países, 29 cidades, que me recordo, lugares que me arrepiei, achei que jamais eu poderia estar lá, pontos turísticos que me emocionei ao me deparar.

Com isso, eu sei que posso mais, com essa vivência eu voltei em 2019 com sede de explorar mais, sem medos desta vez. E fiz, voltei, já fiz e conheci muitos outros lugares, tão lindos quanto a Europa, mas com certeza, voltar para lá, para seguir turistando, segue nos meus planos.

O aprendizado

Com isso, para mim, o mais valioso aprendizado é que, lar é onde nos sentimos bem, onde estamos felizes, e tive essa sensação por vários lugares que visitei, talvez, por isso hoje tenho algumas dúvidas, de onde pertenço.

Eu amo estar de volta no Brasil, foi pela minha família, por querer estar perto delas que retornei. Estar cercada das pessoas que me fazem bem e me querem bem. Por hora, não sei se encontrei o meu lar, mas tenho uma certeza: vou seguir explorando para ver o que eu encontro ainda.

Espero que eu tenha inspirado vocês! 
Com carinho, Paty (@patykrewer)